Conclusões Volume III

O volume 3 do Estudo Raio-X da Hotelaria Brasileira, desvenda números das Redes Hoteleiras presentes no país, sejam de origem nacional ou internacional, a partir de pesquisas implementadas em três formas distintas de apuração: consultas aos sites das Redes e envio de Formulários, que após o primeiro retorno, passaram por avaliação crítica das autoras, que partiram em busca da confirmação de cada detalhe, através de correspondências trocadas com o representante de cada rede analisada, até o fechamento desta edição, evitando-se que qualquer tipo de atualização passasse despercebida.

Ao longo de aproximadamente 1.000 páginas e cerca de 4.000 fotos de empreendimentos em operação, apresenta-se uma radiografia atualizada do real potencial de cada rede. Ao todo foram analisadas 169 redes, apresentando o seguinte universo:

- 128 Redes em Operação (com suas respectivas fichas técnicas completas)
- 15 Redes em Implantação (com informações reais e expectativas, sobre seus planos e projetos para o país).
- 26 Outras Redes, sejam em operação que optaram por não participar do estudo ou redes que já não estão mais operando nesta condição no mercado.

Este estudo revela em detalhes cada uma das redes avaliadas, apresentando fichas técnicas completas dos empreendimentos em operação, marcas e bandeiras, futuros empreendimentos com previsão de inauguração até 2009, a retrospectiva histórica da rede, sua posição no país, planos de expansão e dados de gestão. Todas as estatísticas e projeções deste estudo são feitas considerando-se somente as Redes em Operação, mas o leitor poderá ter acesso a informações sobre as redes em implantação e outras existentes ou extintas, que não focam o objetivo principal da análise, mas apresentam reflexos nas conclusões deste estudo.

De acordo com a metodologia adotada, as redes hoteleiras foram distintamente separadas em duas categorias:

I – Redes Hoteleiras Nacionais

II- Redes Hoteleiras Internacionais

E subdivididas, por meio de hospedagem, em quatro segmentos:

– Hotéis

– Flats + Condo-Hotéis

– Resorts

– Pousadas

As Redes Hoteleiras

Fica patente, observadas as estatísticas, que a participação de uma operadora hoteleira que imprima qualidade, imagem e reconhecimento de sua marca é de imprescindível relevância para a comercialização dos empreendimentos, no caso de flats ou condo-hotéis, ou para atrair maior número de hóspedes neste e demais nichos. Há de se enfatizar que o papel da operadora/administradora adquire crescente importância no sucesso dos estabelecimentos que possuam perfil hoteleiro, podendo conferir maior grau de satisfação à clientela a ser demandada e, principalmente, aos próprios proprietários. Dessa forma, torna-se importante, com o aumento da competitividade, que se faça o gerenciamento de uma operadora eficaz, moderna e flexível.

A operação eficiente e eficaz deverá considerar alguns pressupostos básicos, tais como: avaliação do desempenho operacional; otimização dos custos fixos e variáveis; qualidade das instalações; conforto; funcionalidade; otimização do uso da tecnologia; qualidade dos serviços prestados; garantia de rentabilidade; conhecimento do mercado-alvo; acompanhamento de tendências; possibilidade de oferecer diárias inferiores às da concorrência; elevado padrão de atendimento; treinamento da mão-de-obra; políticas de marketing voltadas para a conquista de hóspedes; serviços de alto valor agregado, como sistema de reserva de passagens aéreas na recepção; cartão de afinidade; manutenção de elevadas taxas de ocupação; agilidade na captação e políticas de retenção e fidelização de hóspedes atuais.

Resumo Geral - Números Atualizados da 3ª edição - 2006:

O cenário apresentado neste capítulo traz um universo de 124 redes nacionais e internacionais em operação no Brasil, e apresenta 894 empreendimentos (entre Hotéis, Flats + Condo-Hotéis, Resorts e Pousadas), com uma oferta de 116.827 apartamentos.

Nota da Redação: Apesar da presente edição do estudo apresentar 128 redes em operação, vale esclarecer que, para efeito das estatísticas, algumas delas serão retiradas do ranking.

Com relação às Estatísticas em Operação, serão consideradas apenas 124 Redes. Isto porque as redes De Rose e Ritter Hotéis estão incluídas na Rede Versare; a Rede Plaza Hotéis, Resorts e Spas e Hotéis Othon, por serem parceiras comerciais, foram contabilizadas juntas, e finalmente a Rede Reta Atlântico, pelo fato de ainda não disponibilizar nenhum empreendimento em operação, também ficou de fora.

Com relação às Estatísticas projetadas para 2009, serão analisadas 125 redes, considerando-se que a Reta Atlântico já estará em operação. Projetando-se a partir da realidade do momento, novamente as redes De Rose, Ritter, e Plaza, não participam do ranking 2009, lembrando-se, entretanto que a qualquer momento tais acordos entre as redes parceiras podem ser alterados.

Números Atualizados da 3ª edição - (Nov./2006)1

Tipo

Nº de Apartamentos

 

Tipo

Nº de Empreendimentos

Hotéis

76.247

 

Hotéis

538

Flats + Condo-Hotéis

30.928

 

Flats + Condo-Hotéis

290

Resorts

8.986

 

Resorts

43

Pousadas

666

 

Pousadas

23

 

116.827

 

 

894

Apresentando-se os números acima expressos em gráficos, teremos os quadros que seguem:


Nestes três anos de acompanhamento do mercado, desde abril de 2003, testemunhamos o cenário da atividade hoteleira nacional passar por diversas transformações. Ao compararmos os principais números das três edições, podemos observar que de 2003 a 2006 houve um acréscimo de 31%, representando uma oferta de 27.928 novos apartamentos.

Ano

Nº de Redes

Nº de Aptos.

2003

107

88.899

2004

129

104.312

2006

124

116.827

O número de bandeiras (marcas) das redes hoteleiras, que a partir da edição de 2004 começou a ser mapeado, apresentou expressivo acréscimo: das 51 bandeiras pertencentes às redes hoteleiras nacionais e internacionais relacionadas em 2004, revela-se um incremento de 78%, com 91 bandeiras tendo sido consideradas em 2006.

Redes Nacionais e Internacionais

Considerou-se no estudo um universo de 99 redes nacionais e 25 redes internacionais em operação. Analisando-se em termos percentuais, observa-se no gráfico abaixo que as redes hoteleiras nacionais ainda constituem a maior parte da oferta disponibilizada, representando 80% do mercado das redes em operação no país, apesar da franca e contínua expansão das redes internacionais.

Entretanto, ao compararmos o número de redes nacionais e internacionais, e os seus respectivos percentuais referentes ao total de Empreendimentos e Número de Apartamentos, observa-se nitidamente que as redes internacionais, apesar de apresentarem-se em menor proporção, possuem um número mais expressivo de empreendimentos e apartamentos por rede, quando comparadas às redes nacionais.

Tipo de Rede

Número

Nº de Apartamentos

Nº de Empreendimentos

Nacionais

99

65.597

585

Internacionais

25

51.230

309

 

124

116.827

894

Na tabela acima podemos verificar que, enquanto as operadoras internacionais representam 20% do total de redes, o percentual relativo ao número de apartamentos é de 44% e o de empreendimentos é de 35%.

Em outra análise, em relação ao número de apartamentos por empreendimento, confirma-se a vantagem das redes internacionais. Com 51.230 apartamentos distribuídos em 309 empreendimentos, as redes internacionais possuem um índice aproximado de 166 apartamentos por empreendimento. Enquanto nas redes nacionais, este índice é de aproximadamente 112 apartamentos por empreendimento.

Se analisarmos, por outro lado, somente as 10 primeiras redes hoteleiras devidamente segmentadas em Nacionais e Internacionais, conforme apresentado nas tabelas disponíveis na seção “Rankings das Redes”, podemos concluir que o mercado em oferta de apartamentos é altamente competitivo. As maiores redes internacionais possuem um índice aproximado de 156 apartamentos por empreendimento, enquanto as maiores redes nacionais atingem um índice de 148.

As 10 maiores Redes Hoteleiras em Operação (Nov. /2006)1

Tradicionalmente o estudo apresenta dois rankings gerais: por Número de Apartamentos e por Número de Empreendimentos. Mas nesta edição, como se observará neste capítulo, também será apresentada uma tabela com o Número Total de Apartamentos por Empreendimento, ou seja, ignorando-se o número do pool de hospedagem (*).

Cabe enfatizar, entretanto, que esta tabela servirá apenas de referencial para o mercado, para mostrar que o pool de hospedagem, diante de suas flutuações e variáveis, pode ser alterado a qualquer momento, e seu potencial de oferta para hospedagem pode chegar até o número total de apartamentos do empreendimento (caso todas as Uhs existentes entrem para o pool).

Fica patente, entretanto, que para efeito de análise e contabilidade real do setor, os critérios deste estudo consideram como indicador oficial, os resultados obtidos a partir dos apartamentos que se encontravam “no pool de hospedagem” de cada empreendimento no momento final do fechamento das pesquisas (cujos dados foram atualizados até 10/11/2006).

* Pool de locação ou pool de hospedagem é a denominação usual dos sistemas associativos de locações, que permite à administradora do flat reunir e controlar o conjunto de apartamentos disponíveis para estada temporária.


1º) RANKING POR NÚMERO DE APARTAMENTOS NO POOL DE HOSPEDAGEM:

 

Rede

Apartamentos

Accor Hotels

19.308

Atlantica Hotels International

7.716

Blue Tree Hotels

6.073

Sol Meliá Hotels & Resorts

4.511

Hotéis Othon

4.400

InterContinental Hotels Group

2.930

Rede Nacional Inn/Shelton Inn

2.647

Bristol Hotéis & Resorts

2.428

Transamerica Flats

1.965

10º

Rede Versare

1.958

 

 

53.936

 

Nota de Esclarecimento: Em todas as análises projetadas neste estudo, seja por Número de Apartamentos “com pool”, "sem pool”, ou por Número de Empreendimentos, todos os hotéis da Rede Plaza de Hotéis, Resorts & Spas Brasil, em função de parceria comercial firmada, foram contabilizados apenas no ranking da Rede Othon.

Vale enfatizar que a Rede Plaza, se fosse analisada isoladamente no ranking, apenas com seus empreendimentos, alcançaria a 31ª posição em número de apartamentos (968 UHs) e 37ª em número de empreendimentos (6 empreendimentos). Projetando-se o resultado para 2009, teríamos a rede gaúcha com uma estimativa de 1.188 apartamentos, ocupando a 37ª posição no ranking de número de apartamentos, e 39ª em número de empreendimentos com estimativa de 7 empreendimentos.

Cabe esclarecer também que a Pousada da Mata (12 apartamentos), muitas vezes classificada como o sétimo empreendimento da rede, na verdade é um anexo do Plaza Caldas da Imperatriz Resort & Spa, e juntos somam um total de 161 apartamentos e 299 leitos.

Há de se ressaltar que a rede gaúcha, além de ser proprietária de empreendimentos é também operadora, sendo considerada uma das exceções do mercado neste quesito, visto que nem todas as redes podem ser analisadas em ambos os aspectos.

Na terceira edição do estudo, assim como nas duas primeiras, a Accor Hotels se mantém na primeira colocação, com larga vantagem em relação às demais redes.
Observa-se também que as 10 maiores redes são responsáveis por 53.936 apartamentos, ou seja, 46% do número de apartamentos, enquanto as 114 redes restantes dividem 54% do mercado, indicando considerável concentração. Para efeito de contabilidade, cabe enfatizar que a rede Accor representa no mercado das redes hoteleiras no Brasil cerca de 17% da oferta de apartamentos.

Em comparação com a segunda edição do Raio-X, junho de  2004, a rede francesa conquistou um acréscimo de 1.583 apartamentos. As redes Atlantica Hotels International e Blue Tree Hotels que estavam em terceiro e quarto lugares do ranking de 2004, subiram uma posição, acrescentando em sua oferta 1.614 e 838 novas unidades habitacionais, respectivamente. A Rede Sol Meliá, que detinha a segunda posição do ranking, caiu para a quarta posição, devido à redução do número de empreendimentos. Entre outros empreendimentos presentes na edição anterior, cabe ressaltar que o Gran Meliá WTC São Paulo, inaugurado em 1995, já não está mais sob a administração da Rede Espanhola.

Da quinta à sétima colocação, não houve alteração nas posições, respectivamente das redes Othon, InterContinental e Nacional Inn/ Shelton Inn. A Transamerica Flats, que no estudo de 2004 ocupou o oitavo lugar, assume hoje a nona posição.

Entre as novidades desta edição, observa-se, para surpresa do mercado, a entrada no ranking da rede gaúcha Versare, na décima posição, que no estudo anterior sequer figurava como rede constituída. O resultado, portanto, reflete a formação e expansão acelerada da rede.

2º) RANKING POR NÚMERO TOTAL DE APARTAMENTOS: (NOVA TABELA)

Após enquete realizada junto aos  representantes das redes hoteleiras, especialmente os  que trabalham com pool hoteleiro, detectou-se a necessidade de incluir um novo ranking neste terceiro volume do estudo. Estabelecido este critério, foi possível, conforme se observará a seguir, apresentar os números das redes, independentemente das flutuações habituais que ocorrem em empreendimentos que possuem “pool de hospedagem”.

Com a tabela que estabelece o Número Total de Apartamentos, procura-se dar ao estudo uma abrangência ainda maior, considerando-se que agora o mercado passa a ter acesso também ao potencial máximo de cada rede, e não apenas ao seu pool de hospedagem, que está sujeito a oscilações constantes. Mas, devemos enfatizar novamente que, para efeito de análise dos dados oficiais apurados, faremos uso das tabelas que apresentam seus resultados baseados na avaliação do Número de Apartamentos no Pool de Hospedagem.

 

Rede

Apartamentos

Accor Hotels

21.245

Atlantica Hotels International

10.265

Blue Tree Hotels

6.073

Hotéis Othon

4.677

Sol Meliá Hotels & Resorts

4.511

InterContinental Hotels Group

2.930

Transamerica Flats

2.923

Golden Tulip Chambertin

2.708

Rede Nacional Inn/Shelton Inn

2.647

10º

Bristol Hotéis & Resorts

2.519

 

 

60.498

Até o terceiro colocado não houve mudança em relação à tabela anterior (Ranking por Número de Apartamentos no Pool de Hospedagem). A partir da quarta posição, tivemos inversões entre as redes Othon e Sol Meliá, que nesta tabela assumem respectivamente a quarta e quinta posição.

As redes Transamerica Flats e Golden Tulip Chambertin assumem respectivamente a sétima e oitava posições, indicando que a consideração do número total de apartamentos melhorou relativamente o resultado para ambas, pois no ranking anterior (que considerava somente o pool de hospedagem), suas classificações foram respectivamente a nona e décima oitava posições.

3º) RANKING POR NÚMERO DE EMPREENDIMENTOS:

 

Rede

Empreendimentos

Accor

129

Atlantica Hotels International

56

Hotéis Othon

34

Blue Tree Hotels

27

Rede Versare

25

Rede Nacional Inn/Shelton Inn

21

Sol Meliá Hotels & Resorts

19

Bristol Hotéis & Resorts

18

Travel Inn Hotéis

18

10º

Transamérica Flats

17

 

 

364

 

Para a oitava e nona posições, com igual número de empreendimentos, foi adotado o desempate por número de apartamentos, ficando o oitavo lugar para a Bristol Hotéis e Resorts (PR).

Nota da Redação: Foram definidos três critérios de desempate para a ordenação das redes nos rankings.
Nos Rankings por Número de Apartamentos, quando duas redes apresentam o mesmo número, quem assume a posição mais privilegiada é aquela que apresenta maior número de Empreendimentos.
Nos Rankings por Número de Empreendimentos, quando duas redes apresentam o mesmo número, quem assume a posição mais privilegiada é aquela que apresenta maior número de Apartamentos.
E finalmente, em casos de redes que apresentam o mesmo número de apartamentos e empreendimentos, o critério adotado para o desempate é a data de início de atividades da rede, prevalecendo a mais antiga para assumir posição superior no ranking.

As 10 maiores redes em operação no país, hoje, são responsáveis  por 41% do total de empreendimentos, enquanto as 114 redes restantes dividem 59% do mercado, indicando conforme já ressaltado, considerável concentração no setor.  

Classificação dos Empreendimentos por Categoria

As autoras do estudo utilizam um conceito universal para a classificação dos empreendimentos nas categorias: Luxo, Upscale, Midscale, Econômico e Supereconômico, lembrando que o sistema oficial de avaliação no país é o de estrelas, gerenciado com responsabilidade compartilhada entre o Ministério do Turismo e a ABIH Nacional (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), conforme detalhado na seção “Classificação e Tipologia”.

As tabelas a seguir mostram a distribuições das classificações em cada uma das regiões brasileiras:

Gráfico 1 - Distribuição da Classificação Luxo por Região Brasileira

No segmento Luxo a superioridade das regiões Sudeste e Nordeste fica evidente. Juntas as duas administram 79% de toda a oferta entre as redes hoteleiras no Brasil.

A região Sudeste concentra praticamente metade (48%) dos empreendimentos de luxo no país. O atual momento econômico dos Hotéis da Região Sudeste, somado a outros fatores, transformou seu parque hoteleiro, especialmente o de luxo, numa excelente alternativa para o turismo de negócios, e a parceria entre turismo de eventos e meios de hospedagem encontra-se consolidada especialmente em São Paulo.

Em seguida vem a região Nordeste, com uma participação de 31%, que tem sido alvo de grande número de novos projetos de origem nacional e internacional, especialmente hotéis upscale, mega resorts e hotéis de luxo.    

Gráfico 2 - Distribuição da Classificação Upscale por Região Brasileira

A Região Sudeste representa 49% da oferta de hospedagem na classificação Upscale, seguida pela região Sul com 23% e pela região Nordeste com 21%. Esta classificação foi a que demonstrou a maior diversificação regional, como poderá ser observado nos demais gráficos.


Gráfico 3 - Distribuição da Classificação Midscale por Região Brasileira

Mais uma vez acontece a predominância do Sudeste, que juntamente com a região Sul, concentra 80% dos empreendimentos nesta categoria.

Gráfico 4 - Distribuição da Classificação Econômico por Região Brasileira

A região Sudeste mantém soberania também na oferta de empreendimentos econômicos, concentrando 54% dos apartamentos neste nicho.

Gráfico 5 - Distribuição da Classificação Supereconômico por Região Brasileira

Na classificação Supereconômico, somente duas regiões, Sul e Sudeste, possuem representatividade. A região Sudeste, com 75% concentra a maior parte dos empreendimentos supereconômicos do país localizados na cidade de São Paulo, e a região Sul responde pelos 25% restantes.

 

Observação: Na seção de “Estatísticas” deste estudo estão disponíveis as tabelas completas com as classificações discriminadas por ESTADO e por REDE. A consulta a estas tabelas permitirá o amplo conhecimento das características específicas de cada Estado, e também do perfil de cada rede, e as respectivas  classificações de seus empreendimentos.

Destaque - Região Nordeste

A região é considerada uma das mais povoadas do Brasil. O padrão de vida exerce um contraste na região, onde se observa o poder aquisitivo de uma minoria que pode usufruir os mesmos requintes vistos nos centros mais ricos do Brasil, e por outro lado encontra-se a maioria da população, que sobrevive com extrema dificuldade financeira, comparando-se aos padrões de países extremamente pobres. Então, todo o desenvolvimento e expansão que se propaga na mídia em termos de região Nordeste, encontram nos extremos o grande paradoxo. Cabe salientar, entretanto, que é reconhecido o valor agregado à comunidade local, pelas redes que estão chegando a destinos antes inexplorados, trazendo consigo todo um potencial para o desenvolvimento da infra-estrutura local e geração de postos de trabalhos, além de provocar a necessidade de qualificação de mão de obra especializada. Ou seja, muitas destas redes investem no potencial da população, criando oportunidades de emprego, de aprendizado, reciclagem e especialização nos quesitos necessários à fomentação da Indústria da Hospitalidade.

No segmento turístico, especificamente, a região promete em poucos anos ser o grande pólo dos Mega Hotéis. Já em pauta apresentam-se investimentos oriundos, principalmente, de Portugal e Espanha, nos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas na ordem de 1,3 bilhão de reais nos próximos cinco anos.
Enquanto os estados vizinhos vão crescendo, o litoral baiano continua também a festejar, pois não pára de ganhar novos complexos turísticos. A maior parte dos empreendimentos que estão sendo concebidos buscam hóspedes de alto poder aquisitivo, oferecendo em troca campos de golfe de padrão internacional, estrutura para pesca e esporte náuticos, spas bem equipados, bons restaurantes, acomodações confortáveis e serviço de qualidade. 

Com 2 quilômetros de praia, na Bahia o maior projeto do momento é o Iberostar Praia do Forte, segunda investida do grupo espanhol Iberostar no Brasil, considerando que já opera o Grand Amazon Iberostar. Mas as intenções do grupo no país não param por aí: mais quatro hotéis estão sendo construídos pelo grupo conduzido por Miguel Fluxá. A exemplo de outros grupos internacionais, o projeto hoteleiro Iberostar, que ainda ganhará novas etapas, vem acompanhado de um condomínio de 208 casas com infra-estrutura e serviços de hotelaria e um campo de golfe com 27 buracos. A mesma técnica é utilizada pelo grupo português Reta Atlântico, na Costa dos Coqueiros, onde se erguerá o Projeto Reserva Imbassaí com 3 hotéis e, mais de 180 casas. Vale enfatizar que o primeiro dos hotéis, um resort, será administrado, ao que tudo indica, pela rede Jamaicana Superclubs, provavelmente com a bandeira Starfish. Esse fenômeno de prospecção hoteleira e imobiliária já está sendo chamado de Segunda Residência.

Ou seja, geralmente as casas dos condomínios são vendidas para turistas estrangeiros, especialmente portugueses e espanhóis, que as utilizam para veraneio, e também as disponibilizam para pool de hospedagem quando ociosas. A segunda residência não é uma realidade somente brasileira, ela tem abrangência mundial. Atualmente existem investimentos neste segmento imobiliário turístico na Espanha, em Portugal, em Marrocos, na Croácia, no Sul da Itália e Grécia.

O empresário Diogo Vaz Guedes, presidente do grupo português Somague e família está no comando de um dos empreendimentos mais aguardados. Seus esforços têm sido empreendidos no desenvolvimento de empreendimento turístico e residencial em Itacaré, na Costa do Cacau, no Estado da Bahia. Trata-se do luxuoso Warapuru , um resort de 40 bangalôs de até 330 m2, com piscina privativa e mordomo exclusivo, englobando ainda um condomínio com 18 moradias. Já considerado o mais sofisticado entre os novos resorts baianos, o projeto português buscou inspiração nos paraísos turísticos da Indonésia e da Tailândia pré-tsunami. De categoria seis estrelas, um super luxo, está localizado na costa do Cacau, destino revelado para o turismo através dos resorts Itacaré Eco Resort e Txai. No auge da ocupação, o futuro empreendimento poderá hospedar até 150 pessoas, com diárias médias equivalentes a 500 dólares.  
Por outro lado, o também português Grupo Wondertur irá atrair para a região de Ilhéus um grande empreendimento hoteleiro que prevê a construção de um complexo compreendendo dois hotéis de padrão internacional, num investimento total de US$ 20 milhões. Os empreendimentos da Wondertur, que escolheu a Bahia para fazer seu primeiro investimento fora de Portugal, serão construídos a 4,5 quilômetros de Ilhéus, na estrada que liga o município a Itacaré. O Wondertur Bahia será um hotel-resort com 128 apartamentos e o Wondertur Brasil um projeto com 57 bangalôs e 64 apartamentos tipo
flat.
Depois do grande boom de investimentos injetados na Bahia para a construção de hotéis e resorts, como já foi enfatizado, os Estados vizinhos começam a se alinhar em crescente ritmo de expansão. Igualmente beneficiado, vale destacar, entre outros, que chegou a vez do Estado de Alagoas entrar na mira de grandes e pequenos investidores. Até 2009, o Estado deverá receber cerca de R$ 247,50 milhões. A maior parte dos investimentos está focada na capital Maceió, e, diferentemente do que ocorreu no estado baiano, onde prevaleceu o capital estrangeiro, em Alagoas a maioria dos recursos advém do empresariado local. A vocação da região nordestina antes totalmente voltada ao lazer, hoje ganha projeção também no turismo de eventos e negócios.

Ainda no Nordeste brasileiro, a exemplo do Ceará, o turismo é considerado um dos vetores da política de desenvolvimento, de vital importância no combate ao desemprego e no fortalecimento do índice de desenvolvimento econômico. Cabe enfatizar, que o Litoral apresenta-se como uma mercadoria extremamente valorizada em termos de comércio. Porém, devemos atentar  a um outro fator: a oferta de empreendimentos imobiliários nessas localidades acarreta também em alteração da ocupação espacial.

Vale enfatizar que a concorrência que a segunda residência representa junto às estruturas hoteleiras, poderá futuramente desequilibrar o mercado, podendo contribuir para a queda dos índices de ocupação dos hotéis. Aí fica uma pergunta no ar: devemos incentivar a Segunda Residência, ou reunir esforços para a real expansão e consolidação da Indústria Hoteleira, que depende de boas taxas de ocupação? Junto a isso, sugerimos maior intensificação no combate à ociosidade dos leitos, com apostas certeiras no turismo de negócios, ecoturismo, religiosos e outros nichos.
A região é a rota dos investimentos não só no turismo, outros setores como têxtil, fruticultura e celulose, contribuem para que o Nordeste figure entre as grandes promessas num futuro próximo.

O discurso dos investidores nos dá conta da realidade na região: dificuldades com mão-de-obra qualificada e excessiva burocracia dos governos municipais. Porém eles também enxergam, por outro lado, os inúmeros atrativos que fazem compensar os entraves enfrentados.

Classificação dos Empreendimentos por Ano de Inauguração

O levantamento das datas de lançamento dos empreendimentos das redes hoteleiras reúne no estudo condições de analisarmos o início do boom da hotelaria de Redes, que aconteceu a partir dos anos 90. O gráfico abaixo mostra que o período entre 1990 e 2006 concentra 71% dos lançamentos de empreendimentos de redes.

No estudo, exaustivos esforços nos deram conta do ano de inauguração original de cada empreendimento, bem como, na maioria das vezes, a data em que o mesmo começou a ser operado por suas respectivas e atuais bandeiras.

Com isso, preserva-se uma memória rica e o real cenário e legitimidade das datas que marcam a operação de cada empreendimento, ressaltando-se ainda aqueles que em busca de bons resultados no competitivo mercado hoteleiro, investiram em melhorias e mais recentemente no difundido conceito de “retrofit”, que surgiu no início da década de 1990, na Europa e Estados Unidos, com objetivo de valorizar velhos edifícios a fim de aumentar sua vida útil, através da incorporação de avanços tecnológicos e da utilização de materiais de última geração.

Hoje este processo tem sido considerado a forma mais prática para se reformar e revitalizar os empreendimentos, modernizando suas instalações e utilizando-se tecnologias novas para reduzir custos. Esse conceito no país ganhou força a partir do incremento de chegada das novas redes internacionais no país, que criaram um ambiente favorável a uma intensa competitividade, onde os hotéis que não se modernizam correm risco de tornarem-se obsoletos, sem a menor chance de competitividade, o que leva geralmente ao encerramento das atividades. Soluções em tecnologia e segurança estão à frente nas inovações que vêm sendo implementadas.

 

Segmentação das Redes

Uma tendência verificada na terceira edição deste estudo é a de segmentação das redes hoteleiras nacionais, que a exemplo das grandes redes internacionais já em operação no país, procuram definir claramente um novo posicionamento junto aos seus mercados de atuação.

Nas duas primeiras edições do estudo, as redes nacionais que possuíam bandeira eram basicamente as redes Blue Tree Hotels e Hotéis Othon. Na segunda edição do estudo a Hotelaria Brasil também já possuía bandeiras.

Agora, no volume 3, observa-se que as redes nacionais começam a buscar diferenciação através de marcas específicas para os diferentes perfis de mercado.

As redes nacionais que inauguraram suas novas marcas nesta terceira edição do estudo foram: Bristol Hotéis & Resorts, Deville, Estanplaza, InterCity, Luxor, Plaza Inn, Slaviero, Suarez, Thess e Travel Inn.

Obs.: Para informações específicas sobre as bandeiras das redes mencionadas acima, consultar as respectivas fichas técnicas, na seção “Redes em Operação”

Os Futuros Empreendimentos

Até o fim de 2009, 135 novos empreendimentos estarão prontos para receber seus hóspedes, representando um acréscimo de 24.178 Unidades Habitacionais.

Os empreendimentos relacionados no estudo serão originados de novas construções e também de alguns casos de ampliações ou reformas de empreendimentos já existentes. Vale enfatizar que diversas ampliações não confirmadas até o fechamento desta edição foram citadas no histórico, porém não contabilizadas nas estatísticas.

No gráfico abaixo, com os percentuais relativos aos Futuros Empreendimentos por Estado, pode-se observar que cinco estados serão responsáveis por 59% de todos os novos empreendimentos de redes hoteleiras previstos até 2009. São eles Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, empatados, respectivamente com 15% cada, seguidos por Goiás (8%) e Pernambuco (6%). Os demais estados respondem por 41%.

No gráfico com os percentuais relativos aos Futuros Empreendimentos por Região, observa-se que o Nordeste e Sudeste respondem por 72% das novas implantações previstas até 2009.

Analisando-se isoladamente as tabelas de cada Estado, localizadas na seção “Outras Estatísticas”, pode-se constatar que estados como Pará e Amazonas terão expressivos crescimentos percentuais em relação aos seus números atuais de empreendimentos de redes hoteleiras, com previsão de aumento de 108% e 83%, respectivamente, até 2009.

Em alguns estados do Nordeste também há previsão de expressivo crescimento de seu parque hoteleiro, com relação a empreendimentos de redes até 2009: Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Norte são os que apresentam os maiores índices previstos, respectivamente 80%, 76% e 65%.

Estados como Amapá e Tocantins indicam a previsão de seus primeiros empreendimentos de redes, respectivamente o Ibis Macapá e o Novotel Palmas. E Rondônia, que já possui um empreendimento de rede, o Vila Rica Porto velho, aguarda a chegada do segundo, o Ibis Porto Velho.

O estado da Bahia também prevê crescimento significativo: já possui parque hoteleiro de redes com 8.515 apartamentos, e tem previsão de receber mais 12.247 apartamentos até 2009, com índice de crescimento previsto de 44%.

É preciso vislumbrar a competição como um aspecto positivo, pois a mesma obriga ao aprimoramento operacional em serviços e instalações. Um projeto hoteleiro que vai além das expectativas de seu tempo pode ser um indicativo de sucesso e longevidade. Sob este aspecto, é importante que entendamos o quanto foi salutar a abertura do mercado para as redes internacionais.

As redes nacionais, por sua vez, têm se mostrado cada vez mais ágeis na adaptação às novas condições competitivas do mercado, para enfrentar a concorrência direta com as redes internacionais, e também com o mercado de hotelaria independente.

Esta é a proposta do Raio-X da Hotelaria Brasileira, promover um verdadeiro censo sobre as redes hoteleiras no Brasil, além de apresentar o maior volume possível de informações sobre o setor.2

As autoras finalizam este estudo, na certeza de que apresentam ao mercado hoteleiro e ao trade turístico em geral, uma verdadeira radiografia do mercado de redes hoteleiras, que, se não responde a todas as perguntas do mercado, com certeza indica a realidade de um setor que a cada dia cresce de importância e sinaliza tendências para o mercado hoteleiro em geral. Boas pesquisas a todos!

1Estatísticas realizadas a partir de dados fornecidos pelas redes hoteleiras. As tabelas que geraram estes resultados encontram-se na seção "Estatísticas".

2Todas as conclusões deste estudo, criticamente analisadas pelas autoras, Eny Amazonas e Lilian Goldner, com colaboração do consultor Márcio Moraes , do atuário Jaime Goldner, e do engenheiro João Marcos Bojar.

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